sexta-feira, 13 de agosto de 2010

semente


Estamos em Agosto. Ando com um saquinho de sementes à tua volta. Faço um furinho no chão, com cuidado. Ponho uma semente. Rego. E vou esperando. Esperando, esperando, esperando. Às vezes apetece-me por adubo, para crescer depressa, mas tenho paciência. E vou esperando. Depois, fico frustrada, porque não cresce nada ali. Nem verde, nem folha, nem flor. Nada. Faço outro furinho no chão, e repito tudo novamente. Nada. Se calhar é do calor. Alguém me diz em que altura do ano se deve semear felicidade?


Voz.10

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

lixos orgânicos

Isto está tudo errado, e não te percebo. Aquilo que nos unia e nos mantia conectados, ardeu. Agora, cinza apenas. O problema, é que recuso-me a aceitar isso. Não suporto a ideia de que não te consigo fazer feliz, nem ajudar, nem estar contigo. No fundo, não suporto o facto de que te sou totalmente inútil. Se não sirvo de nada, não percebo porque raio não me deixaste (ou já deixaste, e eu como sou palerminha, continuo a achar que não). Vai. Deixa-me sentada no chão do alpendre a olhar para uma meia lua e a compor canções nostálgicas. Deixa-me a palavrar num caderninho verde, enquanto me cheira a lixos orgânicos porque é 01:42 e os senhores da câmara municipal de Castro Marim resolveram recolher os resíduos. O velhinho da casa ao lado disse-me para que se ' tibesse carência de alguma coisa, em qualquer ebentualidade, ele me probidênciaba o que foche nechechário ' . Obrigada velhinho, soube bem ouvir isso.
Ps: Provavelmente o texto não tem sentido. Paciência. Se o que digo não tem sentido, isso poupa muito trabalho, porque não temos que encontrar sentido nenhum.
Voz.10