sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Túlipa,

Guardo a túlipa dentro de uma caixa.
Não quero preservar o seu aroma, não quero evitar que se degenere.
Guardo-a apenas porque temo esquecer o cheiro das tuas mãos quando ma entregaste.
Tenho esta ansia, a de te querer guardar, conservar-te só para mim, como as velhinhas fazem às flores.
Não quero perder memórias, porque não passam disso somente. Recordações, efemeridades, que com o tempo se alteram, que com o tempo se apagam.
Às vezes, diz-se que o que importa é o que fica no coração. Discordo.
O que fica no coração são os sentimentos. No cérebro, ficam as recordações que vão caindo no esquecimento. Assim, é sempre bom ficarmos com algo palpável. Algo com que possamos dizer, 'FOI ELA' , ' FOI AQUI ', já que as verdadeiras memórias se desvanecem.
Às vezes, penso o quão maravilhoso seria aprisionar o toque dentro de uma caixa, o cheiro num frasco, ou a adrenalina nas veias, só para relembrar.
Só para não esquecer aquele estado de alma, aquela túlipa, " única, pessoal, intransmissível ".

Voz.o9

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

dança,

Falta o aroma a madeira molhada,
falta o ritmo que me transportava para outra dimensão,
para uma atmosfera desigual.
O querer sempre mais.
Falta aquela vibração, aquele feeling especial.
A atitude, a agressividade, a leveza, o sentimento.
A força.
A liberdade de uma vida num único movimento.
Um sopro de selva na memória,
o esquecimento.


Voz.o9

sábado, 8 de agosto de 2009

Podia arranjar palavras líquidas, fluídas, para o descrever. No entanto, nada. Não me ocorre nada mais a não ser o adjectivo 'estúpido'.
Tudo isto não passa de uma estupidez, e, apesar disso eu continuo a alimentá-la. A cada dia , a cada segundo.
Quando aquela imagem me invade, bloqueio. Desligo do mundo. Ficamos como um só, eu e a recordação, a saudade de algo que ainda estou à espera que aconteça. Fico ofegante. Esqueço-me de respirar. Arrepio-me. Depois, procuro esquecer. Desvio o pensamento para não ser aprisionada pelo remorso. Fujo de mim, e, conscientemente, procuro evitar o inevitável.
Agora, já é tarde. Já não estás aqui. És como o 'flash' das fotografias : apareces, iluminas-me, eu desvio o olhar, e quando vais embora, continuo a ver-te.
Agora, já não há retorno.
Agora, só quero rasgar a fotografia, deixar cada pedaço voar, e seguir o seu próprio caminho.
Tu ? Vou correr para o mar e lavar-te dos meus cabelos. Vou contra o vento, vou levar-te de mim. Voz.09