Guardo a túlipa dentro de uma caixa.
Não quero preservar o seu aroma, não quero evitar que se degenere.
Guardo-a apenas porque temo esquecer o cheiro das tuas mãos quando ma entregaste.
Tenho esta ansia, a de te querer guardar, conservar-te só para mim, como as velhinhas fazem às flores.
Não quero perder memórias, porque não passam disso somente. Recordações, efemeridades, que com o tempo se alteram, que com o tempo se apagam.
Às vezes, diz-se que o que importa é o que fica no coração. Discordo.
O que fica no coração são os sentimentos. No cérebro, ficam as recordações que vão caindo no esquecimento. Assim, é sempre bom ficarmos com algo palpável. Algo com que possamos dizer, 'FOI ELA' , ' FOI AQUI ', já que as verdadeiras memórias se desvanecem.
Às vezes, penso o quão maravilhoso seria aprisionar o toque dentro de uma caixa, o cheiro num frasco, ou a adrenalina nas veias, só para relembrar.
Só para não esquecer aquele estado de alma, aquela túlipa, " única, pessoal, intransmissível ".
Voz.o9
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