Assusta-me. Assusta-me pensar na minha pequenez face a tudo o que está à minha volta, na minha insignificância. Assusta-me pensar que não vou ter tempo para fazer nem metade das coisas que quero fazer. Assusta-me pensar que no tempo durante o qual vivemos, não podemos imaginar tudo o que há para ser imaginado, nem ler, nem fazer, nem sentir tudo o que há para sentir. Quando penso muito, sinto um certo pânico. E não percebo as pessoas que se acomodam, e que acabam por viver agrilhoadas a sei lá o quê. Irrita-me o estereótipo. Assusta-me apaixonar-me por alguém e ir ficando, ir construindo a vida num lugar só. O único sítio onde quero construir coisas é no coração.
Há tanto que quero fazer. Costumam dizer-me que não há pressa. Que sou muito jovem, que há tempo. Concordo até certo ponto, mas estou tão farta de esperar pelo momento, se é que esse momento realmente existe.
Acabo quase sempre a olhar para o nada, e a pensar nos sonhos de vida e liberdade, presos em gavetas decréptidas, à espera que chegue ' o momento ' . E assusta-me a possibilidade de esses sonhos de perderem no meio do meu cérebro. De me acomodar, de perder a força, a determinação. Mas não vai acontecer. Comigo, não.
Ainda quero fazer bungee jumping.
Voz.10
Sem comentários:
Enviar um comentário